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Author Topic: [pt] "Sabedoria acima de Justiça" (Wisdom over Justice) por Ven. Thanissaro  (Read 1141 times)

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Offline Danilo

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Sabedoria acima de Justiça
Por
Ven. Thanissaro Bhikkhu

A alguns anos atrás, em um de seus momentos mais inspiradores, The Onin reportou um vídeo publicado por uma seita budista fundamentalista em que o porta-voz da seita fazia ameaças de que ele e seu grupo desencadearia ondas de paz e harmonia pelo mundo, ondas que ninguém poderia deter ou resistir. A reportagem também mencionava que em resposta ao vídeo, o Departamento de Segurança Interna jurou que faria de tudo ao seu alcance para deter as ondas de chegarem na América.

Assim como toda boa sátira, a matéria faz você parar e pensar. Por quê paz e harmonia seriam as piores "ameaças" que poderiam surgir dos fundamentos dos ensinamentos de Buda?

A resposta, penso eu, está no fato de que Buda nunca tentou impor suas ideias de justiça ao mundo em geral. E isso foi muito sábio e perspicaz da sua parte. É fácil perceber como imposição de normas de justiça podem ser uma ameaça para o bem-estar quando essas normas provém de outra pessoa. É mais difícil perceber a ameaça quando essas normas provém de você mesmo.

Buda tinha claras diretrizes para certo e errado, de meios hábeis e inábeis de engajar-se no mundo, mas ele raramente falava sobre justiça. Ao invés disso, ele falava de ações que levariam à harmonia e felicidade real no mundo. E ao invés de explicar suas ideias para harmonia em um contexto de busca por um mundo justo, ele as apresentou no contexto de méritos: Ações que conduzem à felicidade, ambos isentos de culpa, seja na felicidade em si mesma ou na maneira como ela é obtida.

O conceito de mérito é amplamente mal entendido no Ocidente. É frequentemente visto como uma busca egoísta pelo seu próprio bem-estar. Porém, na verdade, as ações que se qualificam como mérito são a resposta preliminar de Buda para uma séries de perguntas que Ele diz jazer na fundação da sabedoria: "O que é hábil? O que é isento de culpa? O que é que, quando eu faço, irá levar ao bem-estar e felicidade à longo prazo?" Se você almeja felicidade por meio dos três tipos de ações meritórias — generosidade, virtude, e o desenvolvimento da prática de bem-querer universal — é difícil enxergar como essa  felicidade poderia ser taxada como egoísta. Essas são ações que, através de suas benevolências inerentes, torna a sociedade humana suportável.

E Buda nunca impôs nem mesmo essas ações à ninguém como ordens ou obrigações. Quando perguntado em que ocasião um presente deveria ser dado, ao invés de dizer, "de para os budistas", ele disse, "No momento em que a mente estiver confiante" (SN 3:24). Da mesma maneira é com a virtude: Professores do Dhamma tem frequentemente observado, com aprovação, que os preceitos de Buda não são mandamentos. Eles são regras de prática que as pessoas podem adotar voluntariamente. Quanto a prática de bem-querer universal, é uma questão pessoal que não pode ser imposta à ninguém. Para ser franco, tem que vir voluntariamente do coração. O único "deveria" que jaz por traz dos ensinamentos de Buda sobre mérito é condicional: Se você quer felicidade de verdade, isso é o que você deveria fazer. Não porque o Buda diz para fazer, mas simplesmente porque é assim que causa e efeito funciona no mundo.

Afinal de contas, Buda não reivindicava estar falando por um deus criador ou um divindade protetora. Ele não era um legislador universal. As única leis e normas de equidade que ele formulou foram as regras de conduta para aqueles que escolhiam ordenar na Sangha de bhikkhu e bhikkhuni, onde aqueles que realizam deveres comunais são encarregados de evitar se deixarem levar por qualquer viés proveniente de desejo, aversão, delusão ou medo. Fora isso, Buda falou simplesmente como um perito em como dar um fim ao sofrimento. Sua autoridade provém, não de uma reivindicação de poder, mas da honestidade e eficácia de sua própria procura por uma felicidade imortal.

Isso significa que ele não estava em posição de impor suas ideias à alguém que não as aceitava voluntariamente. E ele não tinha intenção de se colocar em tal posição. O cânone em páli ressalta, que o pedido para que Buda assumisse uma posição de soberania em que ele pudesse governar com justiça sob os outros veio, não de qualquer um de seus seguidores, mas de Māra (SN 4:20). Há muitas razões pelas quais ele recusou o pedido de Māra — e porque ele aconselhou outros a recusar tal pedido também.

Para começar, mesmo que você tente governar justamente, sempre haverá pessoas insatisfeitas com seu governo. Como Buda comentou com Māra, mesmo duas montanhas de barras sólidas de ouro não seriam capazes de satisfazer as necessidades de qualquer pessoa. Não importa o quão bem riquezas e oportunidades fossem distribuídas sob seu governo, sempre haveria aqueles que estão insatisfeitos com suas porções. Como resultado, sempre haveria aqueles com os quais você teria que lutar a fim de manter seu poder. E, tentando manter o poder, você inevitavelmente desenvolve uma atitude onde os fins justificam os meios. Tais meios podem envolver violência e punições, levando você cada vez mais distante de estar apto de admitir a verdade, ou mesmo de querer conhecê-la (AN 3:70). Mesmo o mero fato de estar em posição de poder significa que você está cercado de sicofantas e manipuladores, pessoas determinadas a prevenir que você saiba a verdade sobre elas (MN 90). No que diz respeito a posição do Buda, poderes políticos são tão perigosos que ele orientou seus monges à evitar, se possível, se envolver com um governante - um dos perigos sendo que se o governante formulasse um política desastrosa, o monge poderia ser culpabilizado.

Outra razão para a relutância de Buda em tentar impor suas ideias de justiça aos outros era sua percepção de que o esforço em promover justiça como um fim absoluto seria contra o propósito mais importante de seus ensinamentos: o fim do sofrimento e o realizar da felicidade verdadeira e isenta de culpa. Ele nunca tentou impedir governantes de impor justiça em seus reinos, mas ele também nunca usou o Dhamma para justificar uma teoria de justiça. Também nunca usou o ensinamento de kamma passado para justificar maus tratos ao fraco ou desafortunado: Independente de qualquer kamma passado, se você maltratá-lo, o kamma do maltrato se torna seu. Apenas porque há pessoas atualmente fracas ou pobres não significa que seus kamma requerem que permaneçam fracas e pobres. Não há maneira de saber, como expectador externo, qual outro potencial kammico está pronto para brotar de seu passado.

Ao mesmo tempo, todavia, Buda nunca encorajou seus seguidores a buscar retribuição, i.e., punição por ações más. O conflito entre justiça retributiva e felicidade verdadeira é bem ilustrado na famosa história de Aṅgulimāla (MN 86). Aṅgulimāla era um bandido que havia matado muitas pessoas — o cânone menciona no mínimo 100; Os comentários, 999 — e ele usava uma grinalda (māla) feita de seus dedos (aṅguli). Ainda assim, depois do encontro com Buda, seu coração sofreu uma mudança tão brusca que ele abandonou o temperamento violento, despertou senso de compaixão, e eventualmente se tornou arahant.

Essa passagem é popular, e a maioria de nós gosta de se identificar com Aṅgulimāla: Se uma pessoa com sua história pode despertar, então há esperança para todos nós. Mas ao identificar-se com ele, nos esquecemos dos sentimentos daqueles que ele aterrorizou e dos parentes das pessoas que matou. E depois de tudo, ele literalmente abandonou a vida de assassinatos. É fácil de entender, então, como a história nos conta, que quando Aṅgulimāla estava indo esmolar alimento depois de seu despertar, as pessoas jogavam pedras nele, e ao retornar, "sua cabeça com ferida aberta e gotejando sangue, sua tigela quebrada e sua túnica rasgada em pedaços". Buda o reassegurava de que seus ferimentos não eram nada comparado com o sofrimento que ele passaria se não tivesse despertado. E se as pessoas indignadas tivessem saciado plenamente a sede por justiça impelindo o sofrimento que elas achavam que Aṅgulimāla merecia, ele não teria a chance de alcançar o despertar de maneira nenhuma. Ele foi um caso em que o fim do sofrimento teve precedência sob a justiça em qualquer senso comum da palavra.

O caso de Aṅgulimāla ilustra um princípio geral indicado em AN 3:101: Se os mecanismos de kamma requeressem estritamente uma justiça olho por olho — com você tendo que passar pelas mesmas consequências de cada ato que você infligiu aos outros — não seria possível que alguém alcançasse o fim do sofrimento. A razão pela qual podemos atingir o despertar é porque mesmo embora ações de um certo tipo deem tipos de resultados correspondentes, a intensidade de como tal resultado é sentido é determinado, não apenas pela ação original, mas também — e mais importante — por nosso estado mental quando o resultado surgi. Se você tiver desenvolvido bem-querer ilimitado e equanimidade, e tiver treinado bem em virtude, discernimento, e a habilidade de não se deixar ser subjugado nem pelo prazer nem pelo dor, então quando os resultados de más ações passadas surgir, você dificilmente será afetado de qualquer maneira. Se você não tiver treinado dessa maneira, então até mesmo os resultados de uma frívola ação errônea pode te levar ao inferno.

Buda ilustra esse princípio com três símiles. O primeiro é o mais fácil de digerir: Os resultados de ações prejudiciais do passado são como um longo cristal de sal. Uma mente sem treino é como um pequeno copo com água; uma mente bem treinada, como água em um grande e claro lago. Se você colocar o sal na água do copo, você não pode beber pois é muito salgado. Mas se você coloca sal no lago, você ainda consegue beber a água pois há muita mais água e é bem limpa. No geral, uma imagem atrativa.

Os outros dois símiles, todavia, salienta um ponto em que o princípio que estão ilustrando vai contra algumas ideias muito básicas sobre aquilo que é justo. Em um símile, a ação ruim é como o roubo de dinheiro; no outro, como o roubo de um bode. Em ambos símiles, a mente sem treino é como uma pessoa pobre que é severamente punida por cada um desses dois crimes, enquanto que a mente bem treinada é como uma pessoa rica que não recebe punição por nenhum dos dois roubos. Nesses casos, as imagens são menos atrativas, mas elas ilustram o ponto que, para kamma funcionar de uma maneira que compense o treinamento da mente para dar um fim ao sofrimento, não poderia funcionar de uma maneira que garantisse justiça. Se insistíssemos em um sistema de kamma que garantisse justiça, o caminho para libertação do sofrimento não seria possível.

ESSA SÉRIE DE VALORES, que da preferência à felicidade acima da justiça quando há um conflito entre os dois, não combina muito bem com muitos budistas ocidentais. "Não é a justiça um propósito maior e mais nobre do que a felicidade?" nós pensamos. A resposta curta para essa questão se refere à compaixão de Buda: Vendo que todos nós erramos no passado, sua compaixão se estende tanto para os malfeitores quanto para os prejudicados. Por essa razão, ele ensinou o caminho para o fim do sofrimento independente de tal sofrimento ser “merecido” ou não.

Para a resposta longa, todavia, temos que nos virar e olhar para nós mesmos.

Muitos de nós nascidos e educados no Ocidente, mesmo que tenhamos rejeitado o monoteísmo que influencia nossa cultura, tendemos manter a ideia de que normas objetivas de justiça deveria prevalecer sob todos. Quando inconformados em relação à uma injustiça, nós frequentemente expressamos nossas opiniões com intenção de corrigir o que está errado, não como sugestões do curso de ação mais sábio à se tomar, mas como normas objetivas designando a obrigação de como cada um deve se portar. Tendemos a não perceber, no entanto, que a própria ideia de que essas normas são objetivas e universais faz sentido apenas no contexto de uma visão de mundo monoteísta: uma em que o universo foi criado em um momento específico no tempo — digamos, pelo deus abraâmico ou pelo motor imóvel de Aristóteles — com um propósito específico. Em outras palavras, mantemos a ideia de justiça objetiva mesmo tendo abandonado a visão de mundo que embasa essa ideia e à torna válida.

Por exemplo, justiça retributiva — a justiça que procura consertar erros passados punindo o primeiro malfeitor e/ou aqueles que responderam excessivamente ao primeiro erro — demanda um começo específico no tempo em que nós possamos determinar quem atirou a primeira pedra e constatar quem fez o que depois da primeira infração.

Justiça restaurativa — a justiça que procura restaurar a situação ao seu estado apropriado antes da primeira pedra ter sido jogada — requer não apenas um ponto inicial no tempo, mas também que esse ponto inicial seja um bom lugar para ser restaurado.

Justiça distributiva — a justiça que procura determinar quem deveria ter posse do que, e como recursos e oportunidades deveriam ser redistribuídos daqueles que detém suas posses para aqueles que “deveriam” deter essas posses — requer uma fonte comum, acima e além de indivíduos, da qual essas coisas provém e que elucida o propósito pelo qual elas servem.

Apenas quando essas respectivas condições forem atendidas, é possível essas formas de justiça serem objetivas e vinculadas à todos. Na visão de mundo de Buda, todavia, nenhuma dessas condições são sustentáveis. Pessoas tem tentado importar ideias ocidentais de justiça objetiva nos ensinamentos de Buda — alguns até sugerem que isso será uma das grandes contribuições ocidentais ao Budismo, preenchendo uma séria lacuna — mas não tem como essas ideias serem incutidas à força no Dhamma sem causar sério dano à visão de mundo budista. Esse fato, em si mesmo, impele muitas pessoas à descartar a visão de mundo budista e a substituí-la por algo próximo a nossa própria visão prévia. Mas uma análise cuidadosa daquela visão de mundo, e das consequências que Buda elucida dela, mostra que seus ensinamentos sobre como encontrar harmonia social sem recorrer à normas objetivas de justiça tem muito à oferecer.

BUDA DESENVOLVEU SUA VISÃO DE MUNDO de três conhecimentos que ele ganhou na noite de seu despertar.

No primeiro conhecimento, ele viu suas próprias vidas passadas, milhares e milhares de eras no passado, repetidamente acendendo e decaindo por muitos níveis de ser e através da evolução e colapso de muitos universos. Como ele diz posteriormente, o ponto inicial do processo — chamado samsāra, "vagando" — era inconcebível. Não apenas desconhecido, inconcebível.

No segundo conhecimento, ele viu que o processo de morte e renascimento se aplicam à todos seres no universo, e — por tanto tempo já transcorrido — seria difícil encontrar alguém que nunca tenha sido sua mãe, pai, irmão, irmã, filho, ou filha no curso desse longo, longo tempo. Ele também viu que o processo era alimentado por todas as ações de todos os seres, e que isso não serve aos interesses de nenhum ser em particular. Conforme está sintetizado no Dhamma, "Não há ninguém encarregado" (MN 82). Isso significa que o universo não serve à um propósito claro ou singular. E mais, tem o potencial de continuar sem fim. Diference de um universo monoteísta, com seu criador promovendo um julgamento final, samsāra não oferece perspectiva de equidade ou desfecho justo — ou mesmo, além de nibbāna, qualquer desfecho de qualquer forma.

No contexto desses três conhecimentos, é difícil considerar a busca por justiça como um bem absoluto, por três principais razões.

* À começar com, dada a lição do cristal de sal — que as pessoas sofrem mais de seus estados mentais no presente do que dos resultados de ações passadas transcorridas no mundo externo — não importa quanta justiça você tente trazer ao mundo, pessoas continuarão sofrendo e estarão insatisfeitas enquanto suas mentes não forem treinadas nas qualidades que as tornam imunes ao sofrimento. Isso foi a razão pela qual Buda, ao rejeitar o pedido de Māra, fez o comentário sobre as duas montanhas de ouro sólido. Não apenas as pessoas sofrem quando suas mentes são destreinadas, as qualidades da mente destreinada também a leva a destruir qualquer sistema de justiça que possa ser estabelecido no mundo. Enquanto a mente das pessoas não forem treinadas, justiça não resolveria o problema do sofrimento delas, nem seria capaz de perdurar. Esse fato se mantém independente de se você adota a visão de mundo de Buda ou uma visão mais contemporânea de um cosmo com uma vasta dimensão de tempo e sem sinal de fim à vista.

* Segundo, como  mencionado acima, a ideia de uma resolução justa de um conflito requer uma história com um claro ponto inicial — e um claro ponto final. Mas no longo período de tempo do universo de Buda, as histórias não tem um começo claro e — potencialmente — não tem fim. Não há maneira de determinar quem fez o que primeiro, através de todas as nossas vidas, não tem como a última vida permanecer sendo de fato a última. Tudo decai, apenas para se reagrupar, de novo e de novo. Isso significa que justiça não pode ser vista como um fim, pois nesse universo não há fins, além de nibbāna. Você não pode usar justiça como um fim para justificar os meios, pois isso — como tudo nesse universo — não é nada mais do que meios. Harmonia pode ser encontrada apenas tendo certeza de que os meio são claramente bons.

* Terceiro, paras as pessoas concordarem com uma norma de justiça, elas teriam que concordar nas histórias que justificam o uso da força para corrigir os erros. Mas em um universo onde não é possível delinear as fronteiras das histórias, não há história em que todos concordariam. Isso significa que o delinear dessas histórias teriam que ser impostos — um fato que se mantém mesmo que você não aceite as premissas de kamma e renascimento. O resultado é que as histórias, ao invés de nos unir, tende à nos dividir: Pense em todas as guerras religiosas e políticas, as revoluções e contrarrevoluções, que começaram por conta de histórias conflitantes de quem fez o que para quem e porque. Os argumentos sobre quais histórias acreditar podem levar à paixões, conflitos e disputas que, da perspectiva do despertar de Buda, nos mantém presos ao sofrimento em samsāra por muito tempo no futuro.

Essas são algumas das razões pelas quais, depois de ganhar os dois primeiros conhecimentos na noite do despertar, Buda decidiu que o melhor uso daquilo que ele havia aprendido era voltar-se para dentro para encontrar as causas do samsāra em seu próprio coração e mente, e escapar do kamma inteiramente treinando sua mente. Essas também são as razões pelas quais, quando ele ensinou outros a como resolver o problema do sofrimento, ele focou principalmente nas causas internas do sofrimento, e deixou em segundo lugar as causas externas.

ISSO NÃO SIGNIFICA, porém, que não há espaço nos ensinamentos de Buda para mover esforços em prol de soluções para injustiças sociais. Afinal de contas, o próprio Buda em ocasião, descreve as condições para paz e harmonia social, junto com os benefícios resultantes de prestar ajuda aos desafortunados. Todavia, ele sempre classificava seus ensinamentos sociais abaixo do arcabouço maior de ensinamentos da sábia busca pela felicidade. Quando observava que um sábio rei compartilhava sua riqueza para garantir que todo seu povo tivesse o suficiente para se manter, ele encarou não como um caso de justiça, mas como uma sábia forma de generosidade que promove uma sociedade estável.

Se você quer promover um programa de mudança social que seja condizente com os princípios budistas, seria sábio levar em consideração o arcabouço dos ensinamento de Buda para entender o bem-estar social, começando com seus ensinamentos sobre mérito. Em outras palavras, a busca por justiça, para ser condizente com o Dhamma, precisa ser considerada como parte da prática de generosidade, virtude e desenvolvimento de bem-querer universal.

O que isso requer? Para começar, requer que o foco seja primariamente nos meios pelos quais a mudança é almejada. A escolha de um propósito, contanto que você ache inspirador, seria inteiramente livre, mas deve ser alcançado através de meios meritórios.

Isso significa prover as mesmas condições na busca de justiça que Buda proveu na prática de mérito:

1) As pessoas devem ser encorajadas a se juntar na tomada de esforços apenas por vontade própria. Sem demandas, sem tentativa de impor mudança social como dever, e sem tentativa de fazê-las se sentirem culpadas por não se juntarem a causa. Ao invés disso, mudança social deveria ser promovida como uma oportunidade agradável de expressar boas qualidades do coração. Tomando emprestado uma expressão do Cânone, essas qualidades são melhor promovidas quando você mesmo às encorpora, e esclarecendo em como tais práticas conduzirão para os benefícios à longo prazo para qualquer um que as adote também.

2) Esforço para mudança não deve causar dano para você mesmo ou para os outros. "Não causar dano à você mesmo", no contexto da generosidade, significa não sobrecarregar você mesmo, e um princípio similar se aplicaria à não causar danos ao outros: Não os peçam para fazer sacrifícios que os causariam prejuízo. "Não causar dano à você mesmo" no contexto de virtude seria não quebrar os preceitos — e.g., não matar ou mentir em nenhuma circunstância — enquanto que não causar danos ao outros seria não os levar a quebrar os preceitos (AN 4:99). Afinal de contas, um princípio subjacente de kamma é que pessoas são agentes que recebem resultados condizentes com o tipo de ação que performam. Se você tenta convencê-los a quebrarem os preceitos, você está tentando aumentar o sofrimento dessas pessoas futuramente.

3) O bem-querer motivando esses esforços deve ser universal, sem exceções. Nas palavras de Buda, você deve proteger seu bem-querer o tempo todo, disposto a arriscar sua vida por isso, da mesma maneira que uma mãe arriscaria a própria vida pelo seu único filho (SN 1:8 ). Isso significa manter bem-querer por todos independente de se eles "mereçam" ou não: bem-querer por aqueles que você vê como culpados tanto quanto por aqueles que você vê como inocentes, e por aqueles que desaprovam seu programa e ficam no seu caminho, não importando o quão violento e injusto se torne a resistência promovida por eles. Para o seu programa incorporar bem-querer universal, você tem que ter certeza que funcione para o benefício à longo prazo mesmo daqueles que inicialmente se opuseram.

HÁ DUAS PRINCIPAIS VANTAGENS ao visualizar o esforço de trazer justiça social sob o arcabouço de mérito. O primeiro é, encorajando generosidade, virtude, e desenvolvimento de bem-querer universal, você está remediando o problema do estado mental interno que levaria à injustiça não importando o quão bem a sociedade possa ser estruturada. Generosidade ajuda a superar a ganância que leva as pessoas à tirar vantagem sob as outras de maneira injusta. Virtude ajuda a prevenir mentiras, roubos e outras ações insensíveis que divide as pessoas. E bem-querer universal ajuda a superar várias formas de tribalismo que estimula favoritismo e outras formas de iniquidade.

Segundo, generosidade, virtude e bem-querer universal são em si mesmo boas ações. Mesmo que você possa se sentir inspirado pela história do despertar de Buda para praticá-las, elas são claramente tão boas que nem precisam de história para justificá-las — e assim elas evitariam a ocorrência do tipo de histórias que serviriam simplesmente para nos dividir.

Em relação às tentativas de mudança social sob o princípio de kamma, também requer aceitar o princípio de que qualquer forma de injustiça que não responde às atividades de mérito deve ser tratada com equanimidade. Afinal de contas, os resultados de algumas ações ruins do passado são tão fortes que nada pode ser feito para pará-las. E se elas pudessem ser aliviadas agora apenas através de ações inábeis — tal como mentir, matar, roubar ou violência — o custo-benefício em termos de consequências à longo prazo não valeria a pena. Qualquer tentativa dessas não seria, na análise de Buda, sabia.

Em áreas como esta, nós temos que retornar para o ponto focal de Buda: as causas do sofrimento interior. E a boa notícia aqui é que não precisamos esperar por uma sociedade perfeita para encontrar felicidade verdadeira. É possível dar um fim ao nosso próprio sofrimento — parar de "samsārear" — não importando o quão ruim é o mundo exterior. E isso não deveria ser visto como uma busca egoísta. Na verdadeira, seria mais egoísta fazer as pessoas se envergonharem de seus desejos de serem livres fazendo com que elas voltem para ajudar você e seus amigos a estabelecer suas ideias de justiça, mas sem um verdadeiro fim à vista. Um final, um estado de justiça estabelecido é uma impossibilidade. Uma felicidade incondicional, acessível à todos independente do kamma passado, não é.

E a estrada para tal felicidade está longe de egoísmo. Requer ações de mérito — generosidade, virtude e bem-querer universal — que sempre dissemina felicidade à longo prazo no mundo: uma felicidade que repara divisões antigas e evita que qualquer outra seja posta em seu lugar. Dessa forma, aqueles que alcançam essa felicidade são como estrelas que são sugadas do espaço e tempo e entram em buracos negros que na verdade são densos com luminosidade: Ao sair, elas liberam ondas de luz deslumbrantes.
« Last Edit: March 11, 2018, 12:16:10 PM by Johann »

Offline Johann

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Re: "Sabedoria acima de Justiça" por Ven. Thanissaro
« Reply #1 on: March 03, 2018, 05:47:12 PM »
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<title>Sabedoria acima de Justiça</title>
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Sabedoria acima de Justiça </div>




<div id="H_docBy">por </div><div id="H_docAuthor">Ven. Thanissaro Bhikkhu</div>

<div id="H_docAuthorTransInfo">Tanslation into Portuguese: (<a class="zzelink" href="./../../../cowork.html" target="zzelink" title="Sie sind herzlich eingeladen, Ihre Übersetzung hier beizutragen oder bei den Arbeiten hier zu helfen.">Info</a>)</div>
<div id="H_docAuthorTrans">Mr. Danilo</div>
<div id="H_docAuthorTransAlt">Alternate translation: <a href="">none yet</a></div>

<div id="H_copyright"><a href="#F_termsOfUse" title="See the scope of this gift, its origin and its purpose in detail"><img width="8" src="./../../../img/d2.png" alt="[dana/©]" class='cd'/> 2018</a></div>

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<p>A alguns anos atrás, em um de seus momentos mais inspiradores, <em>The Onion</em> reportou um vídeo publicado por uma seita budista fundamentalista em que o porta-voz da seita fazia ameaças de que ele e seu grupo desencadearia ondas de paz e harmonia pelo mundo, ondas que ninguém poderia deter ou resistir. A reportagem também mencionava que em resposta ao vídeo, o Departamento de Segurança Interna jurou que faria de tudo ao seu alcance para deter as ondas de chegarem na América.</p>
<p>Assim como toda boa sátira, a matéria faz você parar e pensar. Por quê paz e harmonia seriam as piores "ameaças" que poderiam surgir dos fundamentos dos ensinamentos de Buda?</p>
<p>A resposta, penso eu, está no fato de que Buda nunca tentou impor suas ideias de justiça ao mundo em geral. E isso foi muito sábio e perspicaz da sua parte. É fácil perceber como imposição de normas de justiça podem ser uma ameaça para o bem-estar quando essas normas provém de outra pessoa. É mais difícil perceber a ameaça quando essas normas provém de você mesmo.</p>
<p>Buda tinha claras diretrizes para certo e errado, de meios hábeis e inábeis de engajar-se no mundo, mas ele raramente falava sobre justiça. Ao invés disso, ele falava de ações que levariam à harmonia e felicidade real no mundo. E ao invés de explicar suas ideias para harmonia em um contexto de busca por um mundo justo, ele as apresentou no contexto de méritos: Ações que conduzem à felicidade, ambos isentos de culpa, seja na felicidade em si mesma ou na maneira como ela é obtida.</p>
<p>O conceito de mérito é amplamente mal entendido no Ocidente. É frequentemente visto como uma busca egoísta pelo seu próprio bem-estar. Porém, na verdade, as ações que se qualificam como mérito são a resposta preliminar de Buda para uma séries de perguntas que Ele diz jazer na fundação da sabedoria: "O que é hábil? O que é isento de culpa? O que é que, quando eu faço, irá levar ao bem-estar e felicidade à longo prazo?" Se você almeja felicidade por meio dos três tipos de ações meritórias — generosidade, virtude, e o desenvolvimento da prática de bem-querer universal — é difícil enxergar como essa  felicidade poderia ser taxada como egoísta. Essas são ações que, através de suas benevolências inerentes, torna a sociedade humana suportável.</p>
<p>E Buda nunca impôs nem mesmo essas ações à ninguém como ordens ou obrigações. Quando perguntado em que ocasião um presente deveria ser dado, ao invés de dizer, "de para os budistas", ele disse, "No momento em que a mente estiver confiante" (<a href="./../../../tipitaka/sn/sn03/sn03.024.than_en.html">SN 3:24</a>). Da mesma maneira é com a virtude: Professores do Dhamma tem frequentemente observado, com aprovação, que os preceitos de Buda não são mandamentos. Eles são regras de prática que as pessoas podem adotar voluntariamente. Quanto a prática de bem-querer universal, é uma questão pessoal que não pode ser imposta à ninguém. Para ser franco, tem que vir voluntariamente do coração. O único "deveria" que jaz por traz dos ensinamentos de Buda sobre mérito é condicional: <em>Se</em> você quer felicidade de verdade, isso é o que você deveria fazer. Não porque o Buda diz para fazer, mas simplesmente porque é assim que causa e efeito funciona no mundo.</p>
<p>Afinal de contas, Buda não reivindicava estar falando por um deus criador ou um divindade protetora. Ele não era um legislador universal. As única leis e normas de equidade que ele formulou foram as regras de conduta para aqueles que escolhiam ordenar na Sangha de bhikkhu e bhikkhuni, onde aqueles que realizam deveres comunais são encarregados de evitar se deixarem levar por qualquer viés proveniente de desejo, aversão, delusão ou medo. Fora isso, Buda falou simplesmente como um perito em como dar um fim ao sofrimento. Sua autoridade provém, não de uma reivindicação de poder, mas da honestidade e eficácia de sua própria procura por uma felicidade imortal.</p>
<p>Isso significa que ele não estava em posição de impor suas ideias à alguém que não as aceitava voluntariamente. E ele não tinha intenção de se colocar em tal posição. O cânone em páli ressalta, que o pedido para que Buda assumisse uma posição de soberania em que ele pudesse governar com justiça sob os outros veio, não de qualquer um de seus seguidores, mas de Māra (<a href="./../../../tipitaka/sn/sn04/sn04.020.than_en.html">SN 4:20</a>). Há muitas razões pelas quais ele recusou o pedido de Māra — e porque ele aconselhou outros a recusar tal pedido também.</p>
<p>Para começar, mesmo que você tente governar justamente, sempre haverá pessoas insatisfeitas com seu governo. Como Buda comentou com Māra, mesmo duas montanhas de barras sólidas de ouro não seriam capazes de satisfazer as necessidades de qualquer pessoa. Não importa o quão bem riquezas e oportunidades fossem distribuídas sob seu governo, sempre haveria aqueles que estão insatisfeitos com suas porções. Como resultado, sempre haveria aqueles com os quais você teria que lutar a fim de manter seu poder. E, tentando manter o poder, você inevitavelmente desenvolve uma atitude onde os fins justificam os meios. Tais meios podem envolver violência e punições, levando você cada vez mais distante de estar apto de admitir a verdade, ou mesmo de querer conhecê-la (<a href="./../../../tipitaka/an/an03/an03.069.than_en.html">AN 3:70</a>). Mesmo o mero fato de estar em posição de poder significa que você está cercado de sicofantas e manipuladores, pessoas determinadas a prevenir que você saiba a verdade sobre elas (<a href="./../../../tipitaka/mn/mn.090.than_en.html">MN 90</a>). No que diz respeito a posição do Buda, poderes políticos são tão perigosos que ele orientou seus monges à evitar, se possível, se envolver com um governante - um dos perigos sendo que se o governante formulasse um política desastrosa, o monge poderia ser culpabilizado. (<a href="./../../../lib/authors/thanissaro/bmc1/bmc1.ch08-9-en.html#Pc83">Pc 83</a>).</p>
<p>Outra razão para a relutância de Buda em tentar impor suas ideias de justiça aos outros era sua percepção de que o esforço em promover justiça como um fim absoluto seria contra o propósito mais importante de seus ensinamentos: o fim do sofrimento e o realizar da felicidade verdadeira e isenta de culpa. Ele nunca tentou impedir governantes de impor justiça em seus reinos, mas ele também nunca usou o Dhamma para justificar uma teoria de justiça. Também nunca usou o ensinamento de kamma passado para justificar maus tratos ao fraco ou desafortunado: Independente de qualquer kamma passado, se você maltratá-lo, o kamma do maltrato se torna seu. Apenas porque há pessoas atualmente fracas ou pobres não significa que seus kamma requerem que permaneçam fracas e pobres. Não há maneira de saber, como expectador externo, qual outro potencial kammico está pronto para brotar de seu passado.</p>
<p>Ao mesmo tempo, todavia, Buda nunca encorajou seus seguidores a buscar retribuição, i.e., punição por ações más. O conflito entre justiça retributiva e felicidade verdadeira é bem ilustrado na famosa história de Aṅgulimāla (<a href="./../../../tipitaka/mn/mn.086.than_en.html">MN 86</a>). Aṅgulimāla era um bandido que havia matado muitas pessoas — o cânone menciona no mínimo 100; Os comentários, 999 — e ele usava uma grinalda (<em>māla</em>) feita de seus dedos (<em>aṅguli</em>). Ainda assim, depois do encontro com Buda, seu coração sofreu uma mudança tão brusca que ele abandonou o temperamento violento, despertou senso de compaixão, e eventualmente se tornou arahant.</p>
<p>Essa passagem é popular, e a maioria de nós gosta de se identificar com Aṅgulimāla: Se uma pessoa com sua história pode despertar, então há esperança para todos nós. Mas ao identificar-se com ele, nos esquecemos dos sentimentos daqueles que ele aterrorizou e dos parentes das pessoas que matou. E depois de tudo, ele literalmente abandonou a vida de assassinatos. É fácil de entender, então, como a história nos conta, que quando Aṅgulimāla estava indo esmolar alimento depois de seu despertar, as pessoas jogavam pedras nele, e ao retornar, "sua cabeça com ferida aberta e gotejando sangue, sua tigela quebrada e sua túnica rasgada em pedaços". Buda o reassegurava de que seus ferimentos não eram nada comparado com o sofrimento que ele passaria se não tivesse despertado. E se as pessoas indignadas tivessem saciado plenamente a sede por justiça impelindo o sofrimento que elas achavam que Aṅgulimāla merecia, ele não teria a chance de alcançar o despertar de maneira nenhuma. Ele foi um caso em que o fim do sofrimento teve precedência sob a justiça em qualquer senso comum da palavra.</p>
<p>O caso de Aṅgulimāla ilustra um princípio geral indicado em <a href="./../../../tipitaka/an/an03/an03.099.than_en.html">AN 3.101</a>: Se os mecanismos de kamma requeressem estritamente uma justiça olho por olho — com você tendo que passar pelas mesmas consequências de cada ato que você infligiu aos outros — não seria possível que alguém alcançasse o fim do sofrimento. A razão pela qual podemos atingir o despertar é porque mesmo embora ações de um certo tipo deem tipos de resultados correspondentes, a intensidade de como tal resultado é sentido é determinado, não apenas pela ação original, mas também — e mais importante — por nosso estado mental quando o resultado surgi. Se você tiver desenvolvido bem-querer ilimitado e equanimidade, e tiver treinado bem em virtude, discernimento, e a habilidade de não se deixar ser subjugado nem pelo prazer nem pelo dor, então quando os resultados de más ações passadas surgir, você dificilmente será afetado de qualquer maneira. Se você não tiver treinado dessa maneira, então até mesmo os resultados de uma frívola ação errônea pode te levar ao inferno.</p>
<p>Buda ilustra esse princípio com três símiles. O primeiro é o mais fácil de digerir: Os resultados de ações prejudiciais do passado são como um longo cristal de sal. Uma mente sem treino é como um pequeno copo com água; uma mente bem treinada, como água em um grande e claro lago. Se você colocar o sal na água do copo, você não pode beber pois é muito salgado. Mas se você coloca sal no lago, você ainda consegue beber a água pois há muita mais água e é bem limpa. No geral, uma imagem atrativa.</p>
<p>Os outros dois símiles, todavia, salienta um ponto em que o princípio que estão ilustrando vai contra algumas ideias muito básicas sobre aquilo que é justo. Em um símile, a ação ruim é como o roubo de dinheiro; no outro, como o roubo de um bode. Em ambos símiles, a mente sem treino é como uma pessoa pobre que é severamente punida por cada um desses dois crimes, enquanto que a mente bem treinada é como uma pessoa rica que não recebe punição por nenhum dos dois roubos. Nesses casos, as imagens são menos atrativas, mas elas ilustram o ponto que, para kamma funcionar de uma maneira que compense o treinamento da mente para dar um fim ao sofrimento, não poderia funcionar de uma maneira que garantisse justiça. Se insistíssemos em um sistema de kamma que garantisse justiça, o caminho para libertação do sofrimento não seria possível.</p>
<p><span class="smaller" style="text-transform:uppercase">ESSA SÉRIE DE VALORES</span>,que da preferência à felicidade acima da justiça quando há um conflito entre os dois, não combina muito bem com muitos budistas ocidentais. "Não é a justiça um propósito maior e mais nobre do que a felicidade?" nós pensamos. A resposta curta para essa questão se refere à compaixão de Buda: Vendo que todos nós erramos no passado, sua compaixão se estende tanto para os malfeitores quanto para os prejudicados. Por essa razão, ele ensinou o caminho para o fim do sofrimento independente de tal sofrimento ser “merecido” ou não.</p>
<p>Para a resposta longa, todavia, temos que nos virar e olhar para nós mesmos.</p>
<p>Muitos de nós nascidos e educados no Ocidente, mesmo que tenhamos rejeitado o monoteísmo que influencia nossa cultura, tendemos manter a ideia de que normas objetivas de justiça deveria prevalecer sob todos. Quando inconformados em relação à uma injustiça, nós frequentemente expressamos nossas opiniões com intenção de corrigir o que está errado, não como sugestões do curso de ação mais sábio à se tomar, mas como normas objetivas designando a obrigação de como cada um deve se portar. Tendemos a não perceber, no entanto, que a própria ideia de que essas normas são objetivas e universais faz sentido apenas no contexto de uma visão de mundo monoteísta: uma em que o universo foi criado em um momento específico no tempo — digamos, pelo deus abraâmico ou pelo motor imóvel de Aristóteles — com um propósito específico. Em outras palavras, mantemos a ideia de justiça objetiva mesmo tendo abandonado a visão de mundo que embasa essa ideia e à torna válida.</p>
<p>Por exemplo, justiça retributiva — a justiça que procura consertar erros passados punindo o primeiro malfeitor e/ou aqueles que responderam excessivamente ao primeiro erro — demanda um começo específico no tempo em que nós possamos determinar quem atirou a primeira pedra e constatar quem fez o que depois da primeira infração.</p>
<p>Justiça restaurativa — a justiça que procura restaurar a situação ao seu estado apropriado antes da primeira pedra ter sido jogada — requer não apenas um ponto inicial no tempo, mas também que esse ponto inicial seja um bom lugar para ser restaurado.</p>
<p>Justiça distributiva — a justiça que procura determinar quem deveria ter posse do que, e como recursos e oportunidades deveriam ser redistribuídos daqueles que detém suas posses para aqueles que “deveriam” deter essas posses — requer uma fonte comum, acima e além de indivíduos, da qual essas coisas provém e que elucida o propósito pelo qual elas servem.</p>
<p>Apenas quando essas respectivas condições forem atendidas, é possível essas formas de justiça serem objetivas e vinculadas à todos. Na visão de mundo de Buda, todavia, nenhuma dessas condições são sustentáveis. Pessoas tem tentado importar ideias ocidentais de justiça objetiva nos ensinamentos de Buda — alguns até sugerem que isso será uma das grandes contribuições ocidentais ao Budismo, preenchendo uma séria lacuna — mas não tem como essas ideias serem incutidas à força no Dhamma sem causar sério dano à visão de mundo budista. Esse fato, em si mesmo, impele muitas pessoas à descartar a visão de mundo budista e a substituí-la por algo próximo a nossa própria visão prévia. Mas uma análise cuidadosa daquela visão de mundo, e das consequências que Buda elucida dela, mostra que seus ensinamentos sobre como encontrar harmonia social sem recorrer à normas objetivas de justiça tem muito à oferecer.</p>
<p><span class="smaller" style="text-transform:uppercase">BUDA DESENVOLVEU SUA VISÃO DE MUNDO </span> de três conhecimentos que ele ganhou na noite de seu despertar.</p>
<p>No primeiro conhecimento, ele viu suas próprias vidas passadas, milhares e milhares de eras no passado, repetidamente acendendo e decaindo por muitos níveis de ser e através da evolução e colapso de muitos universos. Como ele diz posteriormente, o ponto inicial do processo — chamado samsāra, "vagando" — era inconcebível. Não apenas desconhecido, inconcebível.</p>
<p>No segundo conhecimento, ele viu que o processo de morte e renascimento se aplicam à todos seres no universo, e — por tanto tempo já transcorrido — seria difícil encontrar alguém que nunca tenha sido sua mãe, pai, irmão, irmã, filho, ou filha no curso desse longo, longo tempo. Ele também viu que o processo era alimentado por todas as ações de todos os seres, e que isso não serve aos interesses de nenhum ser em particular. Conforme está sintetizado no Dhamma, "Não há ninguém encarregado" (<a href="./../../../tipitaka/mn/mn.082.than_en.html">MN 82</a>). Isso significa que o universo não serve à um propósito claro ou singular. E mais, tem o potencial de continuar sem fim. Diference de um universo monoteísta, com seu criador promovendo um julgamento final, <em>samsāra</em> não oferece perspectiva de equidade ou desfecho justo — ou mesmo, além de <em>nibbāna</em>, qualquer desfecho de qualquer forma. </p>
<p>No contexto desses três conhecimentos, é difícil considerar a busca por justiça como um bem absoluto, por três principais razões.</p>
<p>• À começar com, dada a lição do cristal de sal — que as pessoas sofrem mais de seus estados mentais no presente do que dos resultados de ações passadas transcorridas no mundo externo — não importa quanta justiça você tente trazer ao mundo, pessoas continuarão sofrendo e estarão insatisfeitas enquanto suas mentes não forem treinadas nas qualidades que as tornam imunes ao sofrimento. Isso foi a razão pela qual Buda, ao rejeitar o pedido de Māra, fez o comentário sobre as duas montanhas de ouro sólido. Não apenas as pessoas sofrem quando suas mentes são destreinadas, as qualidades da mente destreinada também a leva a destruir qualquer sistema de justiça que possa ser estabelecido no mundo. Enquanto a mente das pessoas não forem treinadas, justiça não resolveria o problema do sofrimento delas, nem seria capaz de perdurar. Esse fato se mantém independente de se você adota a visão de mundo de Buda ou uma visão mais contemporânea de um cosmo com uma vasta dimensão de tempo e sem sinal de fim à vista.</p>
<p>• Segundo, como  mencionado acima, a ideia de uma resolução justa de um conflito requer uma história com um claro ponto inicial — e um claro ponto final. Mas no longo período de tempo do universo de Buda, as histórias não tem um começo claro e — potencialmente — não tem fim. Não há maneira de determinar quem fez o que primeiro, através de todas as nossas vidas, não tem como a última vida permanecer sendo de fato a última. Tudo decai, apenas para se reagrupar, de novo e de novo. Isso significa que justiça não pode ser vista como um fim, pois nesse universo não há fins, além de nibbāna. Você não pode usar justiça como um fim para justificar os meios, pois isso — como tudo nesse universo — não é nada mais do que meios. Harmonia pode ser encontrada apenas tendo certeza de que os meio são claramente bons.</p>
<p>• Terceiro, paras as pessoas concordarem com uma norma de justiça, elas teriam que concordar nas histórias que justificam o uso da força para corrigir os erros. Mas em um universo onde não é possível delinear as fronteiras das histórias, não há história em que todos concordariam. Isso significa que o delinear dessas histórias teriam que ser impostos — um fato que se mantém mesmo que você não aceite as premissas de kamma e renascimento. O resultado é que as histórias, ao invés de nos unir, tende à nos dividir: Pense em todas as guerras religiosas e políticas, as revoluções e contrarrevoluções, que começaram por conta de histórias conflitantes de quem fez o que para quem e porque. Os argumentos sobre quais histórias acreditar podem levar à paixões, conflitos e disputas que, da perspectiva do despertar de Buda, nos mantém presos ao sofrimento em samsāra por muito tempo no futuro.</p>
<p>Essas são algumas das razões pelas quais, depois de ganhar os dois primeiros conhecimentos na noite do despertar, Buda decidiu que o melhor uso daquilo que ele havia aprendido era voltar-se para dentro para encontrar as causas do samsāra em seu próprio coração e mente, e escapar do kamma inteiramente treinando sua mente. Essas também são as razões pelas quais, quando ele ensinou outros a como resolver o problema do sofrimento, ele focou principalmente nas causas internas do sofrimento, e deixou em segundo lugar as causas externas.</p>
<p><span class="smaller" style="text-transform:uppercase">ISSO NÃO SIGNIFICA,</span> porém, que não há espaço nos ensinamentos de Buda para mover esforços em prol de soluções para injustiças sociais. Afinal de contas, o próprio Buda em ocasião, descreve as condições para paz e harmonia social, junto com os benefícios resultantes de prestar ajuda aos desafortunados. Todavia, ele sempre classificava seus ensinamentos sociais abaixo do arcabouço maior de ensinamentos da sábia busca pela felicidade. Quando observava que um sábio rei compartilhava sua riqueza para garantir que todo seu povo tivesse o suficiente para se manter, ele encarou não como um caso de justiça, mas como uma sábia forma de generosidade que promove uma sociedade estável.</p>
<p>Se você quer promover um programa de mudança social que seja condizente com os princípios budistas, seria sábio levar em consideração o arcabouço dos ensinamento de Buda para entender o bem-estar social, começando com seus ensinamentos sobre mérito. Em outras palavras, a busca por justiça, para ser condizente com o Dhamma, precisa ser considerada como parte da prática de generosidade, virtude e desenvolvimento de bem-querer universal.</p>
<p>O que isso requer? Para começar, requer que o foco seja primariamente nos meios pelos quais a mudança é almejada. A escolha de um propósito, contanto que você ache inspirador, seria inteiramente livre, mas deve ser alcançado através de meios meritórios.</p>
<p>Isso significa prover as mesmas condições na busca de justiça que Buda proveu na prática de mérito:</p>
<p>1) As pessoas devem ser encorajadas a se juntar na tomada de esforços apenas por vontade própria. Sem demandas, sem tentativa de impor mudança social como dever, e sem tentativa de fazê-las se sentirem culpadas por não se juntarem a causa. Ao invés disso, mudança social deveria ser promovida como uma oportunidade agradável de expressar boas qualidades do coração. Tomando emprestado uma expressão do Cânone, essas qualidades são melhor promovidas quando você mesmo às encorpora, e esclarecendo em como tais práticas conduzirão para os benefícios à longo prazo para qualquer um que as adote também.</p>
<p>2) Esforço para mudança não deve causar dano para você mesmo ou para os outros. "Não causar dano à você mesmo", no contexto da generosidade, significa não sobrecarregar você mesmo, e um princípio similar se aplicaria à não causar danos ao outros: Não os peçam para fazer sacrifícios que os causariam prejuízo. "Não causar dano à você mesmo" no contexto de virtude seria não quebrar os preceitos — e.g., não matar ou mentir em nenhuma circunstância — enquanto que não causar danos ao outros seria não os levar a quebrar os preceitos (<a href="./../../../tipitaka/an/an04/an04.099.than_en.html">AN 4:99</a>). Afinal de contas, um princípio subjacente de kamma é que pessoas são agentes que recebem resultados condizentes com o tipo de ação que performam. Se você tenta convencê-los a quebrarem os preceitos, você está tentando aumentar o sofrimento dessas pessoas futuramente. </p>
<p>3) O bem-querer motivando esses esforços deve ser universal, sem exceções. Nas palavras de Buda, você deve proteger seu bem-querer o tempo todo, disposto a arriscar sua vida por isso, da mesma maneira que uma mãe arriscaria a própria vida pelo seu único filho (<a href="./../../../tipitaka/kn/snp/snp.1.08.than_en.html">Sn 1:8</a>). Isso significa manter bem-querer por todos independente de se eles "mereçam" ou não: bem-querer por aqueles que você vê como culpados tanto quanto por aqueles que você vê como inocentes, e por aqueles que desaprovam seu programa e ficam no seu caminho, não importando o quão violento e injusto se torne a resistência promovida por eles. Para o seu programa incorporar bem-querer universal, você tem que ter certeza que funcione para o benefício à longo prazo mesmo daqueles que inicialmente se opuseram. </p>
<p><span class="smaller" style="text-transform:uppercase">HÁ DUAS PRINCIPAIS VANTAGENS</span> ao visualizar o esforço de trazer justiça social sob o arcabouço de mérito. O primeiro é, encorajando generosidade, virtude, e desenvolvimento de bem-querer universal, você está remediando o problema do estado mental interno que levaria à injustiça não importando o quão bem a sociedade possa ser estruturada. Generosidade ajuda a superar a ganância que leva as pessoas à tirar vantagem sob as outras de maneira injusta. Virtude ajuda a prevenir mentiras, roubos e outras ações insensíveis que divide as pessoas. E bem-querer universal ajuda a superar várias formas de tribalismo que estimula favoritismo e outras formas de iniquidade.</p>
<p>Segundo, generosidade, virtude e bem-querer universal são em si mesmo boas ações. Mesmo que você possa se sentir inspirado pela história do despertar de Buda para praticá-las, elas são claramente tão boas que nem precisam de história para justificá-las — e assim elas evitariam a ocorrência do tipo de histórias que serviriam simplesmente para nos dividir.</p>
<p>Em relação às tentativas de mudança social sob o princípio de kamma, também requer aceitar o princípio de que qualquer forma de injustiça que não responde às atividades de mérito deve ser tratada com equanimidade. Afinal de contas, os resultados de algumas ações ruins do passado são tão fortes que nada pode ser feito para pará-las. E se elas pudessem ser aliviadas agora apenas através de ações inábeis — tal como mentir, matar, roubar ou violência — o custo-benefício em termos de consequências à longo prazo não valeria a pena. Qualquer tentativa dessas não seria, na análise de Buda, sabia.</p>
<p>Em áreas como esta, nós temos que retornar para o ponto focal de Buda: as causas do sofrimento interior. E a boa notícia aqui é que não precisamos esperar por uma sociedade perfeita para encontrar felicidade verdadeira. É possível dar um fim ao nosso próprio sofrimento — parar de "samsārear" — não importando o quão ruim é o mundo exterior. E isso não deveria ser visto como uma busca egoísta. Na verdadeira, seria mais egoísta fazer as pessoas se envergonharem de seus desejos de serem livres fazendo com que elas voltem para ajudar você e seus amigos a estabelecer suas ideias de justiça, mas sem um verdadeiro fim à vista. Um final, um estado de justiça estabelecido é uma impossibilidade. Uma felicidade incondicional, acessível à todos independente do kamma passado, não é.</p>
<p>E a estrada para tal felicidade está longe de egoísmo. Requer ações de mérito — generosidade, virtude e bem-querer universal — que sempre dissemina felicidade à longo prazo no mundo: uma felicidade que repara divisões antigas e evita que qualquer outra seja posta em seu lugar. Dessa forma, aqueles que alcançam essa felicidade são como estrelas que são sugadas do espaço e tempo e entram em buracos negros que na verdade são densos com luminosidade: Ao sair, elas liberam ondas de luz deslumbrantes.</p>
<div class='seeAlso'>
<p><b>See also:</b> <a href="justicevsskill">Justice vs. Skillfulness</a>, Dhamma talk by Ven. Thanissaro.</p>

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<div id="F_provenance"><b>Provenance:</b>
<div id="F_sourceCopy"><img width="8" src="./../../../img/d2.png" alt="[dana/©]" class='cd'/> 2017 Thanissaro Bhikkhu.</div>
<div id="F_sourceCopy_translation">Translation into Portuguese: Mr. Danilo, 4. March 2018.</div>
<div id="F_sourceEdition"></div>
<div id="F_sourceTitle">English original provided by the author via dhammatalks.org.</div>
<div id="F_atiCopy">This Zugang zur Einsicht edition is <img width="8" src="./../../../img/d2.png" alt="[dana/©]" class='cd'/>2017.</div>
<div id="F_zzeCopy">Translations, rebublishing, editing and additions are in the sphere of responsibility of <em>Zugang zur Einsicht</em>.</div>
</div>

<div id="F_termsOfUse"><b>Scope of this Dhamma-Gift:</b> You are invited to not only use this Dhamma-Gift here for yourself but also to share it, and your merits with it, again as a Dhamma gift and to copy, reformat, reprint, republish and redistribute this work in any medium whatsoever, provided that: you only make such copies, etc. available <em>free of charge</em>; This work is licensed under the Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0 Unported. To see a copy of this license visit <a href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/">http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/</a>. For additional information about copyrights on ZzE, see the <a href="./../../../faq_en.html#copyright">FAQ</a>.
</div>

<div id="F_citation"><b>How to cite this document</b> (one suggested style): "Sabedoria acima de Justiça", by  Thanissaro Bhikkhu. <span style='font-style:italic'>Zugang zur Einsicht</span>, 8. September 2017, <a href="http://www.zugangzureinsicht.org/html/lib/authors/thanissaro/wisdomoverjustice_en.html">http://www.zugangzureinsicht.org/html/lib/authors/thanissaro/wisdomoverjustice_en.html</a>, retrieved on:
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« Last Edit: March 04, 2018, 11:36:34 AM by Johann »
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The draft in Portuguese can now be found here (html above)

Sabedoria acima de Justiça, por Ven. Thanissaro Bhikkhu

Of cause such as menu, hovertext, infos... are still english and the cross-links between the languages not done yet. Other links lead to english pages.

Also missing are the italic tags for certain words like in the original (my person could not figure out).
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Offline Danilo

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HTML is not a ploblem for me.  :)
I've converted to pdf files (portuguese and english).

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I've converted to pdf files (portuguese and english).


Sadhu!

HTML is not a ploblem for me.  :)

If Nyom Danilo likes, he may add the missing translations in Portuguese in the html-file.

If it is inspiring and liked to develope ZzE larger into Portuguese, it should be no probelm to give also direct access via ftp. How ever, it's good if possible coordinate and gain advices by Upasaka Moritz , who did a lot of work that ZzE came to it's existing state.

And, if Nyom Danilo has the possibility to approach Ven. Thanissaro and the Sangha of Wat Metta by normal mail or telefon (my person has no possibility), and share his gifts even first toward the giver, possible ask if works here are welcome in this way as well, it would be surely good, althought not demanded.

Nyom Moritz also had and has a long time vision the thoughts to provide a easier maintainable enviroment for ZzE, but had no chance to gain enought time. My person thinks that he might have a lot of joy if having some assistance and help for it.

(My person, althought it might not be forwarded, will send and share your gift to the generous admin of Dhammatalks .)
« Last Edit: March 05, 2018, 04:45:43 AM by Johann »
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Quote from: via email to dhammatalks
Honorable Sangha of Wat Metta,
Ven. Bhante Thanissaro, _/ _ _/ _ _/ _
Dear valued assistance of dhammatalks.org,

Upasaka Danilo, from Brazil, has recently given his translation of the Dhamma-essay "Wisdom over Justice" into Portuguese as a gift for the Noble Sangha, represented by the Sangha of the eight direction.

As such it has been received by my person and aside of willing to invite you to rejoice with his merits, my person likes to had over the gift.

May the Honorable Sangha, Bhante Thanissaroaccept the gift out of compassion and longtime well-fare of the giver. For a second,... For a third...

May the assistant help to forward the gift (knowing that it's not the best an wished way, but my person would not have any other possibility)

The translation is given here as attachment in pdf-format.

May the Ven. Sirs, in cases that any thing is required to make the gift acceptable in best way, let my person know how to serve for it.

_/ _

With metta & mudita

Samana Johann
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Offline Danilo

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Does Ven. Johann already sent the email on my behalf?
sadhu!


If Nyom Danilo likes, he may add the missing translations in Portuguese in the html-file.

If it is inspiring and liked to develope ZzE larger into Portuguese, it should be no probelm to give also direct access via ftp. How ever, it's good if possible coordinate and gain advices by Upasaka Moritz , who did a lot of work that ZzE came to it's existing state.

Nyom Moritz also had and has a long time vision the thoughts to provide a easier maintainable enviroment for ZzE, but had no chance to gain enought time. My person thinks that he might have a lot of joy if having some assistance and help for it.


I would be glad to do it.  _/\_

Offline Johann

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It has been send, yes. But as told, usually email are not forwarded to the Sangha and so it's not sure if receiving.
Therefor good if Nyom Danilo , if wishing so, would write a physical mail or make a call. Contact .


If Nyom Danilo likes, he may add the missing translations in Portuguese in the html-file.

If it is inspiring and liked to develope ZzE larger into Portuguese, it should be no probelm to give also direct access via ftp. How ever, it's good if possible coordinate and gain advices by Upasaka Moritz , who did a lot of work that ZzE came to it's existing state.

Nyom Moritz also had and has a long time vision the thoughts to provide a easier maintainable enviroment for ZzE, but had no chance to gain enought time. My person thinks that he might have a lot of joy if having some assistance and help for it.


I would be glad to do it.  _/\_
Sadhu!

Just let it be known when something is needed for your good undertakings.
Nyom Moritz probably will join in, when he may find time.

There is also Nyom Chris , from BSE (French native speaker). My person thinks he would also love to join. But it's always a matter of certain obstacles (Nivarana) and often a matter to be strongly encouraged to let go of this or that. To eliminate doubt, it's always good to display samples of effort that many things are possible, also without usual means and desire for products rather then joy in good ways, even if just "little" is created.
« Last Edit: March 07, 2018, 04:26:56 AM by Johann »
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Offline Moritz

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Sadhu!

Just let it be known when something is needed for your good undertakings.
Nyom Moritz probably will join in, when he may find time.
Yes, I would.

But I don't know how long time it could take that I could even start with anything.
However, if there are simple questions, maybe I can help with some simple answers. Maybe.  ^-^

_/\_

 

Plauderbox

 

Johann

September 14, 2018, 07:11:41 AM
Und was ist die Grundlage für das Aukommen (paccaya) von Saddhā? Dukkha ist die Grundlage für das Aufkommen von Vertrauen (Händen und Füßen). Viel Dukkha! um Khema zu werden.
 

Johann

September 14, 2018, 07:02:53 AM
Eine Person ohne Vertrauen, Saddhaa, so sagen die Weisen, ist wie jemand ohne Hände und ohne Füße.

Also besser heute "unperfekt" beginnen, Anstelle perfekt wiedermal weiter nirgendwo Zuflucht zu erlangen. "Da ist nichts Gutes, es sei den man tut es."
 

Johann

September 11, 2018, 02:42:47 PM
Nyom Roman.
 

Johann

September 10, 2018, 03:39:32 PM
Ein Besucher. Wie geht es den Katzen?
 

Johann

September 08, 2018, 01:28:03 AM
Meister Hanspeter
 

Johann

September 05, 2018, 08:34:31 AM
At Buddhas times, so in times of Ajahn Mun, Upāli was the great supporter of the Kassapa, now the "Upalis" just make their livelihoods with it. Sad but true: or "nor for sure?"
 

Johann

September 05, 2018, 08:31:06 AM
It's like with Metallica- Fans and their producer, or to put it into Buddhas words: Uposatha of the cowboys.
 

Johann

September 05, 2018, 08:27:52 AM
Today many trade an nurish on the reputation of forest or kammaṭṭhāna - monks, making their livelihood with it by giving books, while wasting away their own goodness and possibilities actually destruct their upanissaya to it.
 

Johann

September 01, 2018, 07:16:53 PM
mit gahaṭṭha den Tag abschließend und segenreichen (verdienstvollen puñña) Sonntag allen anregend.
 

Johann

September 01, 2018, 09:43:50 AM
Was immer Mönch/Lehrer im Westen/moderenen Welt weilt, ist entweder Außenseiter oder (möglich ist) Arahant. Denken Sie nach.
 

Johann

September 01, 2018, 09:41:14 AM
Suchen Sie die Theras in traditionellem Land. Die Mitglieder anderer Sekten/"Buddhisten/moderne, arroganz/dünkel gefangen, sind verloren!
 

Johann

September 01, 2018, 09:38:20 AM
Das ist so klärend... ohne, wie die Westlichen Lehrer, jemals in alte Kultur und Sprache eingetaucht zu sein, vermag man nicht mal Pali richtig übersetzen, scjreiben, dann erst Buddhavaca verstehen.
 

Johann

August 30, 2018, 03:39:04 PM
Be prepared to die! Pets -life in a rich country is nice, but you would not understand anything: paṭisandhi (Com., Mahavihara)
 

Johann

August 30, 2018, 01:38:39 PM
 

Johann

August 26, 2018, 10:06:36 PM
Verdienstreichen Vollmond-Uposatha Ausklang allen.
 

Johann

August 22, 2018, 06:04:12 AM
"No mercy" :) soweit Trübungen nicht hindern, Nyom Moritz und Mudita.
 

Moritz

August 22, 2018, 05:07:08 AM
Ich verabschiede mich. Viele Dinge zu ordnen. _/\_
 

Moritz

August 22, 2018, 04:50:41 AM
 _/\_
Gut zu hören, auch wenn sicher relativ.
Mögen Bhante genug Schonung finden. _/\_
 

Johann

August 22, 2018, 04:37:12 AM
Gegenüber dem "Sterben" gestern, "pumperlg'sund" auf Wienerisch. Sadhu der Nachfrage, Nyom Moritz.
 

Moritz

August 22, 2018, 04:10:10 AM
Vandami, Bhante _/\_
Wie geht es Ihnen körperlich?
 

Johann

August 17, 2018, 02:21:49 AM
Mein's oder nicht meines, (Gier) Liebe oder Hass... Da sind wenige, die Blumen im Wald stehen lassen und Insekten nicht töten, weder bleiben noch gehen, und alles geben aus Wohlwollen und Mitgefühl, Weisheit gewonnen, Geiz besiegt und Güte ohne zu vereinnahmen. Wie konnten andere diese je sehen,
 

Johann

August 13, 2018, 05:13:25 AM
Händler mögen es nicht sich für passendes Mudita hinzugeben, und würden nur in Lob über deren Handelsware sprechen. Warum Leute Lobenswertes nicht loben: apacayana eine er 12 Personen: "...ein Geschäftsmann, sich seiner Schuld zum Arbeiten für seinen Vorteil verschrieben."
 

Johann

August 11, 2018, 12:06:41 AM
Erfreuenden und klärenden Neumond-Uposatha, den Ehrw. Herren, Anhängern und Interessierten.
 

Johann

August 10, 2018, 08:31:57 PM
Sokh chomreoun Nyom. Möge sich Sukha zur Vollständigkeit mehren.
 

Moritz

August 10, 2018, 06:20:44 PM
Ich muss wieder an die Arbeit. Einen angenehmen Abend, Bhante _/\_
 

Johann

August 10, 2018, 05:25:27 PM
Nyom Moritz.

Nyom Mohan.
 

Moritz

August 10, 2018, 05:18:04 PM
Guten Abend, Bhante _/\_
 

Mohan Gnanathilake

August 05, 2018, 12:58:01 PM
Sehr ehrwürdiger Samanera Johann,

ich habe der Gruppe „ Anussavika“ beigetreten.

Dhamma Grüβe an Sie aus Sri Lanka!
 

Johann

July 31, 2018, 04:38:15 PM
Den Weg kennend, im Vertrauen jenen folgen ihn gehend, gegangen, sich dann ausschließlich um die Enihsltung des Weges kümmer, gelangt man nach oben und hinaus. So, in dieser Weise, ist "der Weh ist das Ziel zu verstehen.
 

Johann

July 31, 2018, 04:33:35 PM
Mögen alles stets vorrangig auf die Qualitäten von Handlungen und Hingaben, die Ursachen für Früchte achten und nicht wie dumme gewöhnliche Leute, Zeile fixieren und danach gfreifen, die Ursachen damit fehlen, nie zu Früchten kommend, falscher Mitteln für Wirkung bedient.

Mudita
 

Johann

July 28, 2018, 07:38:00 AM
on how the blessed hobby, the liberating anime, the sublime gotchi decays for one and at a certain point for all: Dhamma-Gotchi and only fake last for some times lasting till also the mythos decays.
 

Johann

July 26, 2018, 01:50:45 PM
Morgen, Vollmond vor dem Vassa seiend, mag jener, der nicht zu sehr verstrickt in Fehlinvestitionen, die Gelegenheit für Lösung von Verstrickungen zu nützen vermögen.
 

Johann

July 26, 2018, 01:50:20 PM
Morgen, Vollmond vor dem Vassa seiend, mag jener, der nicht zu sehr verstrickt in Fehlinvestitionen, die Gelegenheit für Lösung von Verstrickungen zu nützen vermögen.
 

Roman

July 22, 2018, 08:01:16 PM
Danke für die Infos
und eine friedliche Nacht
 

Johann

July 22, 2018, 06:27:44 PM
Atma, zieht sich nun zurück, wieder spät geworden, Nyom. Ruhe Freude und Geduld beim ungestörten Erkunden und Gelegenheiten, Gegeben-heiten, nutzen.
 

Johann

July 22, 2018, 03:13:38 PM
Atma wird das Gespräch nun versuchen in Passendes Thema im Forum zu kopieren.
 

Johann

July 22, 2018, 03:12:06 PM
In Sorge Unmut ob der Situation, gänzlich anders Vorgestellt,  zu mehren, hatte Johann nicht nach Marcel gefragt. Doch hätte er, würde er er erwähnen, wenn da dringliches und triftige Sorge um Marcel wäre. Gute Übung und Lehre, alles in allem, für viele, wenn danach ausgerichtet. Also einfach
 

Johann

July 22, 2018, 03:06:12 PM
Bhante Indannano, Johann angerufen habend, kurz, vor Tagen, unterrichtet geworden das Johann am Weg in die Hauptstadt sein, hatte sich sehr zurückhaltend und kurz gehalten. Wohl nicht mit den weltlichen Hindernissen all zu Erfreut und noch ungelößt.
 

Johann

July 22, 2018, 03:03:21 PM
Im Verwenden des Forums, überall, keine Sorge irgendwo was Falsch zu machen, ist es Stressfreier und Langlebiger, auch für andere, als Geschenk, Nyom Roman. Woimmer.
 

Johann

July 22, 2018, 03:00:55 PM
Nyom kam Nyom als "füherer Elternteil/Verwandter" betrachten. Hie etwas Technischer: ញោម "Nyom", ñoma - Ursprung bzw. Bedeutung
 

Johann

July 22, 2018, 02:56:10 PM
Wenn Sie sich freimachen können, besuchen Sie ihn, und machen Sie Entdeckungsreise in unbekannter Welt, während ihm vielleich Weltliches abnehmen könnend.
 

Johann

July 22, 2018, 02:53:55 PM
mit Freude tun oder Geben mag, wo immer, ist vorallem für Roman glücksverheißend, neben Moraluscher Stange zum Glück für ihn haltend.
 

Johann

July 22, 2018, 02:51:42 PM
Mag er sicher Abstand von Unsicherm Gewinnen. Was immer Roman sich inspiriet fühlt, geschicktes, niemanden Verletzendes zu geben, zu tun, gar vielleicht mehr an jemand erhabener als "nur" eigener Bruder denkend,
 

Roman

July 22, 2018, 02:49:04 PM
  Und was bedeutet Nyom...Ich habe versucht zu übersetzen.  Jedoch weiß ich nicht ob der Bezug richtig ist
 

Johann

July 22, 2018, 02:48:39 PM
Johann hat ihn schon länger nicht persönlich getroffen, ob in Buchstaben, am Ohr oder mit mehr Sinnen. Gestern war er wohl online hier. Denke er ist sehr vertieft in der Praxis und hat eigentlich wenig Interesse sich um Äußerses zu kümmern.
 

Roman

July 22, 2018, 02:46:46 PM
Beim lesen von den Beiträgen fällt es mir noch bißchen schwer alles zu verstehen...Ich frage mich gerade wer Atma ist..Und moritz bist du für die Internetseite zuständig?  
 

Roman

July 22, 2018, 02:43:49 PM
Hallo,

Ich lese viel hier und wollte mich mal erkundigen wie es mit Marcel so steht..Hatte letzte Woche mit ihm gesprochen und es geht ihm gut! Hatte Johann geschrieben wie ich helfen kann..
 

Johann

July 22, 2018, 02:41:15 PM
Nyom Roman
 

Sophorn

July 20, 2018, 05:09:54 AM
Sadhu. Möge es ein verdienstvolller Tag sein!
 :-* :-* :-*
 

Johann

July 20, 2018, 03:06:04 AM
Allen einen verdienstvollen Silatag, der letzte vor dem Antritt der Regenrückzugszeit.

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